Não há que deixar enganar. Apesar de todas as curvas, estradas estreitas, nevoeiro, chuva, subidas e da estrada acabar nesta aldeia. Acreditem. Gondramaz é um pedaço de bom caminho.
Fica quase perdida no meio de uma das encostas da Serra da Lousã. Perdida, porque à volta não vão ver civilização e não muito mais que a Natureza. Num dos seus estados mais puros. Esta serra é bonita. Talvez a mais bonita do país.
Pode ser uma avaliação um pouco injusta, tendo em conta as belas serras que temos. Esta, tem muito do que as outras têm, mas tem ainda a magia de Gondramaz.
Uma aldeia de xisto, toda restaurada. E muito bem restaurada, diga-se. Não foi apenas restaurar casas.
Foi tudo e com muito amor. Desde as casas, aos becos, cafés ou estabelecimentos. Aqui restaurou-se o amor, em tudo. Tem o que o tinha, mas melhoraram. Não é difícil chegar até lá. Para Quem vem de Miranda do Corvo em direção À Lousã, basta fugir em direção direta para as aldeias do Xisto e Lousã. Lá está! Fugir, porque é o sítio ideal para fugir. De tudo e todos. Aqui estamos em paz e connosco próprios. Podes andar com calma e pouco ouvir. Sentem um conforto imenso. Chegados à aldeia, era mesmo tudo em xisto.
Estacionamos mesmo ali e caminhamos aldeia a baixo. A cada passo, algo novo para processar. Becos e recantos todos muito arranjados. Beco do tintol, lia-se. Cadeiras e bancos em comunhão com a aldeia, árvores e paisagem. Continuamos a descer até chegar à casa que procurávamos. Mountain Whisper.

Apesar de ser pouco Português tudo o resto era bem Português e local.
Recebeu-nos a Margarida com um sorriso fácil de boas-vindas. Ofereceu-nos um café e uns biscoitos enquanto preparava tudo para nós. Mega janela em vidro com vista direta para a serra e piscina e madeira por todo lado.
Começamos a tirar fotos a tudo, porque estávamos encantados. Fomos avisados. “ Aqui dificilmente terão rede. Só existe uma janela junto À porta e chega”. Para nós não era problema. Tínhamos fugido, não precisávamos.
Fomos em passo acelerado até à nossa casinha. Era mesmo no início da aldeia e tinha 2 andares. Os aquecedores já estavam ligados e a lareira já estava à nossa espera. Tinha um vidro do tamanho da casa que nos dava vista direta para a Serra, desde da sala e de uma parte do quarto.
A decoração era demasiado acolhedora e já não apetecia sair de casa. Despediram-se de nós com um “até amanhã, senão quiserem jantar connosco. Avisem se mudarem de ideias.” Tínhamos vindo preparados de casa com algumas coisas. Não estávamos certos que o tempo nos fosse ajudar, ficar em casa a aproveitar o conforto era uma opção demasiado tentadora.
Davam muita chuva e passear e visitar esta linda serra podia ter que ficar para outra altura.
A verdade é que o tempo ainda não estava mau. Não perdemos tempo e fomos até à Lousã. Chiqueirinho, Candal, Casal novo e a famosa aldeia de Talasnal. Aproveitamos para conhecer todos estes recantos. Cada aldeia é diferente e vale a pena visitar todas. Umas mais tradicionais, outras mais Naturais, outras mais paradas no tempo. Aqui as aldeias estão em comunhão com a Natureza. Aqui vê-se vegetação linda como dificilmente se vê noutros locais. Carvalhos, Castanheiros e pinheiros mansos. Aqui valoriza-se e pretende-se manter tal como está. Senão estão apaixonados, vão ficar. Aqui é a meca para quem gosta de Natureza. Tem árvores lindas, trilhos lindos, casas lindas, rios lindos e até as paisagens de cortar a respiração. Não admira que tenhamos encontrado vários ciclistas e bttistas.

Pessoas a caminhar, outras a correr ou simplesmente a passear. Pela estrada ou pelos trilhos. Aqui vale a pena fugir.
Voltamos para casa, a lareira manteve a casa bem quente. Desta vez não íamos sair mais. Aproveitamos e cozinhamos. Não faltava nada. Conseguimos que o nosso jantar ficasse tão bom que nos estatelamos no sofá. Não conseguíamos tirar os olhos da lareira e da janela. Não conseguíamos deixar de dizer e pensar. Aqui podíamos viver e ser felizes. É impressionante como acabados de chegar e já se pensa nisto. Sentimos-mos realmente felizes neste local. Aqui gostávamos de ficar. Acordamos e dormimos tão bem que custou a sair da cama.
Apressamo-nos para podermos ainda aproveitar o pequeno-almoço. A Margarida ainda nos tinha guardado algumas surpresas. O melhor bolo de maçã de sempre e ainda torradas rústicas com compotas locais. Ficamos consolados e já não queríamos ir embora. Ficamos curiosos como nasceu a ideia e como conseguiram concretizar. Projeto de uma arquiteta com bom gosto que a necessidade levou a por em prática. Ainda bem que o fez e juntou o amor. Fomos para a “nossa casinha” para preparar tudo e voltarmos. Escusado será dizer que não conseguimos. Perdemo-nos nas horas e queríamos lá continuar. Ficamos com o amargo de boca de não termos jantado, mas parece-me uma boa desculpa para voltarmos outra vez. Até já.

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