O ano tinha acabado de começar. Estranho começar com uma antítese, mas a verdade é que foi um fim de semana com contrastes felizes. O nosso destino foi Castelo Rodrigo e a Casa da Cisterna. Uma espécie de guest house. Espécie, porque é muito mais que isso. Consegue ser ao mesmo tempo um alojamento de charme ou hotel rural. É difícil descrever porque tem uma identidade muito própria. Fica mesmo no centro do Castelo e das suas muralhas. Está muito bem enquadrado na paisagem. Por fora a casa passa despercebida por estar tão bem enquadrada com as muralhas e tudo envolvente. Tocamos à campainha, para entrar rapidamente. A curiosidade era grande e o frio também ajudava. Fomos muito bem recebidos pela D.Ana. De trato simples e simpático deixou-nos rapidamente à vontade. O primeiro impacto no interior da casa foi excelente. Muito calmo e confortável. Pensámos que uma lareira poderia estar ligada, mas não. Toda a luminosidade e isolamento deveriam ser os responsáveis. A decoração convidava a sentar e não querer conhecer os quartos. Objetos restaurados com outros mais recentes faziam o contraste perfeito. Numa zona mais resguardada tinha imensos livros nas estantes e um bonito telescópio virado à janela a Sul onde não há cidades nas imediações. Não tivemos oportunidade de espreitar, mas seguramente fará um belo céu.

Chegamos cedo e fomos atrevidos em pedir para conhecer o resto das casas e quartos.

A D. Ana teve a bondade de nos mostrar. Nomes de árvores indicam o nome dos quartos e levanta o véu ao que levou também ao que os levou a fugir. De Lisboa para Castelo Rodrigo. Amor pela Natureza e pela calma do interior. Não foi fácil e também não foi rápida a adaptação, mas conseguimos ver na cara que foi a opção certa e tinha valido muito a pena. Não deixamos de bater palmas pela coragem. Falando da casa da cisterna, foi batizada devido à cisterna que está mesmo ao lado da casa original. Está na rua abaixo e tem um conceito ligeiramente diferente da segunda onde ficamos hospedados. No patamar de baixo a casa é ligeiramente mais fresca, mas mais familiar. Aqui não tiramos partido apenas do quarto, mas de toda a casa. Temos até opção de escolher uma com cozinha e preparar as nossas refeições. A casa é decorada de maneira mais tradicional. A exceção são os quartos e as casas de banho que por si só, são a parte mais comum à segunda casa. Digamos que estes são as estrelas. Ficamos com vontade de experimentar cada um deles. São todos diferentes e com detalhes deliciosos. Aqui as fotos falarão por si, pois são demasiados detalhes que não conseguiríamos dar conta com as palavras.

Passando à nossa jornada aproveitamos o primeiro dia para conhecer o castelo e os recantos. Uma loja de artigos locais destaca-se. Mesmo junto à entrada e às muralhas, o ambiente era calmo e com produtos diferentes do convencional. Não resistimos a alguns. De seguida fomos ao pequeno café onde a cerveja artesanal é rainha. O espaço é pequeno, mas acolhedor. Podemos ver algumas das melhores nacionais e principalmente provar. Não sabemos muito deste mundo, mas decidimos arriscar (e bem) pois era realmente muito boa. Passamos um bom bocado a falar deste tema com o dono e sua esposa. A formo como falava, não deixava dúvidas sobre o seu gosto pela arte. Compramos mais uma para beber em casa. Aproveitamos e demos uma pequena volta por Almeida que é bem perto. As muralhas são famosas assim como a proximidade a Espanha. Não arriscamos passar a fronteira, contudo haverá uma próxima.

O dia passou muito rápido e voltamos para o quente da casa. A casa tem um jardim e uma piscina bem bonita, mas nesta altura do ano não é o mais apetecível. Daí também termos optado pela companhia das bicicletas. Um quarto bem aconchegante era o que precisávamos antes de jantar. Tivemos uma bela surpresa. Tivemos a companhia de um casal que também estava hospedado e com quem tivemos o gosto de partilhar. Creme de castanha, quiche, sumo de laranja feito na hora e o petit gateau que tivemos a sorte de provar. Temos de agradecer a amabilidade das senhoras que nos serviram. Tiveram a gosto de o fazerem para nós. No fim da refeição, ficamos mais um pouco pela sala e na conversa junto à lareira, mesmo antes de irmos dormir.

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