Já nos esperavam na Taberna do Juiz e desta vez conhecemos o André , menos falador, mas igualmente simpático. Tinham colocando uma mesa super bonita e simpática para nós. Sugeriram-nos alguns petiscos bem tradicionais e nós aceitamos. Ficamos fãs do azeite e das azeitonas que nos serviram. O azeite vinha quente e marinaram para que ficassem com um sabor ainda melhor. Uma salada de hortelã com presunto. Leve e fresca, para o que vinha depois. Cogumelos salteados c/ pedacinhos de chouriço e um bacalhau desfiado com o tempero no ponto. Pode parecer estranho, mas ainda tivemos barriga para sobremesas. Bolo de amora e requeijão com compota de abóbora. Mesmo típico da beira. Caminhamos um pouco pela aldeia do juízo para desgastar um bocado antes de dormir.

De manhã acordamos bem cedo pois queríamos fazer uma caminhada. O pequeno almoço estava à nossa espera e abusamos um pouco. É difícil não o fazermos, quando as coisas são tão caseiras. O Sr. José tinha perguntado se o queríamos acompanhar na sua caminhada à volta da aldeia e conhecer alguns dos locais mais bonitos e menos percorridos. O caminho partilha várias vezes os trilhos da GR 22 – Grande rota das aldeias históricas.  Ao longo desta caminhada íamos ouvindo atentamente as histórias e ensinamentos. Imensas perguntas que nem sempre sabíamos responder, mas sem dúvida que aprendemos imenso. Passamos por locais lindíssimos, uns com mais sorte que outros, pois incêndios já andaram próximos. Não estamos longe da reserva natural da Faia Brava. É muito única e é um local onde se pode ver imensas aves no seu habitat e onde estão protegidas. Passamos por um bosque de líquen com uma cor e luz digna de conto de Harry Potter. São raros pois só existem em locais onde o ar é realmente puro. A nossa caminhada levou-nos até à aldeia e aos pequenos locais quase esquecidos. Grande parte preservados e muitos deles recuperados pelo amor do Sr. José à aldeia e às ruralidades portuguesas. O gosto de mostrar e ensinar a quem desconhece todos os engenhos de outras épocas. Tudo era feito com alguma razão e possivelmente de forma bem mais inteligente. Muita coisa foi se perdendo, mas ainda bem que foi sendo recuperada nesta espécie de museu de ruralidades. Fomos ajuizados na fonte do juízo. Gentilmente o protocolo foi cumprido e pensamos que partimos com um pouco mais de juízo. Umas cabeçadas na fonte foram suficientes.

Não foi difícil passar a tarde a simplesmente falar. A aprender (muito) e a contar também um pouco das nossas vivências. Este intercâmbio deixa-nos preenchidos. Foi assim que ficamos ao ouvir o Sr. José e a Dª Isabel e já agora os “jovens”. Nome que carinhosamente são tratados o André e a Daniela. Somos um casal do litoral que é não é assim tão diferente. Somos um casal que adora viajar e descobrimos também estes dois casais personificam também o que é fugir. Se muitas pessoas pensam que já viajamos muito, deviam “perder” também umas horas a ouvir das inúmeras viagens pelo mundo do Sr. José. Alguns sítios dizem-nos mais, mas são as pessoas que nos fazem sentir bem-vindas e foi que o que aqui sentimos.

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