Fugir. É assim que começamos. Decidimos fugir. Não foi difícil. Ele descobriu e mostrou. Foram só fotos, mas a reação foi instantânea. Vamos! É engraçado, a resposta foi uma pergunta. “Quando vamos?” – Hoje!
Reservamos e fomos. Tivemos sorte? É possível. Tinham disponibilidade. Na realidade a dificuldade que tivemos foi escolher entre suite, master suite, etc. A viagem é calma. A1 até Fátima e voilá! É mesmo ao lado. Para nos receber um portão de madeira e um coração recortado no meio. Tocamos à campainha e estacionamos no parque. Caminho em gravilha até a uma casa. Na receção, um sorriso enorme à nossa espera. Olhamos à volta e apaixonamo-nos. As paredes, a mesa, o papagaio na gaiola. Já vínhamos apaixonados, mas parecia que nos íamos apaixonar outra vez. Na recepção colocaram-nos à vontade. Voltávamos a olhar e víamos coisas que adoramos.

Produtos regionais, artesanato nacional e local. Levaram-nos para uma sala. E que sala. Mega janela que nos iluminava a cara. Duas paredes recortadas com almofadas e uma lareira mesmo ao lado. Um sofá e uma manta. Mais sofás junto às paredes. Queríamos sentar, mas foi complicado. Quisemos ver tudo. A decoração, as mesas, os produtos, a lista de divididas… Quisemos sentar outra vez, mas queríamos estar em todos os lados. Serviram-nos um chá e uns biscoitos para acompanhar. Finalmente nos sentamos e descansamos. Olhamos à nossa volta e tudo era bonito. “soul experience” lia-se. Realmente era uma experiencia para a alma e principalmente para os sentidos. O cheiro que nos vinha, as cores e peças, a música que acompanhava, o toque da manta e mesmo o sabor do chá. Estávamos rendidos e ainda pouco tínhamos visto. Burocracias tratadas, pequena conversa com o Pedro. Dono mas mais do que isso, o anfitrião. Colocou-nos à vontade e mostrou-nos o resto da casa comum. Onde era servido o pequeno-almoço e todos os espaços dedicados a quem os visitava. Árvore das mensagens e do amor, espaço de leitura e criança. A sala de refeição era o amor transformado em algo físico. Luz a toda volta. “Luz houses”… sim. O nome encaixa muito bem. Falaram-nos das ovelhas que faziam parte das casas dos trilhos para passearmos e uma pequena capela para meditarmos. Fomos visitar. Uma grande janela em vidro. Sem santos ou religião. Decorada de forma tão serena e acolhedora. Sentimo-nos em paz. Já estava a escurecer. Nunca tínhamos estado em sítio parecido. Conseguimos ler algures “Boutique hotel”. Parece apropriado o nome para o conceito. Fomos ver as doces ovelhinhas e só depois conhecer a nossa casinha. Admitimos que sem a vermos, já sentíamos que a viagem tinha valido a pena. Ainda bem que fugimos.