É tradição na páscoa fazer-se o folar. Varia de região para região. Até muda de tradição de região para região. Nós não tínhamos qualquer tipo de tradição. O mais importante é dizer e mostrar que gostamos dos nossos queridos. Desta vez fomos convidados por uma amiga muito especial a conhecer a tradição da sua família. Todos os anos na semana da Páscoa fazem “as broinhas”. É uma atividade que leva o seu tempo principalmente de espera. Este “pequeno” detalhe leva a arranjar outras atividades. Leva a um convívio entre todos. Une a família. Afinal, é isto que é ou devia ser a Páscoa. Nós sentimos essa união.
Fugimos até à casa da nossa amiga Cláudia. Passamos lá a noite porque íamos acordar muito cedo. Após o pequeno-almoço era tempo de trabalhar.
Na pequena sala nas traseiras da casa estava um alçapão que é usado para preparar a massa. Nela esta gravada a receita e a reza. Os ingredientes já estavam À nossa espera. Tempo de por as mãos na massa. Literalmente. Massa, farinha, ovos, margarina, açúcar e leite. Tudo colocado de cada vez e amassado à mão. No inicio não tem muito que saber. É só juntar. Convém é saber como se mexe uma massa. É preciso força e jeito para sair bem uniforme e amassada. Após isto é so deixar a massa descansar e levedar num espaço quente. Após isto era necessário aquecer o forno, para mais tarde podermos cozer todas as broinhas de forma uniforme. Fomos almoçar todos juntos e convivemos. Almoço simpático e direito à aletria mais cremosa conhecida.

A meio da tarde abriu o apetite e lembramo-nos que era tempo de tratar das broínhas. A massa já tinha crescido, era tempo de cortar e separar. 15 pedaços e amassados de forma redonda. Colocamos folhas de couve por baixo antes de por no forno para não queimar as broas. Partimos os caules das folhas para elas aderirem ao forno e à massa. Estavam muito bonitas. Era tempo de preparar o forno novamente. Desta vez com bastante lenha para atingir boas temperaturas. Quando a temperatura estiver ideal, é tempo de tirar as brasas e meter as broas com a pá, uma a uma no forno. Tapar com uma tampa o forno e com Terra húmida fechar a frincha da tampa. Tudo para manter a temperatura do forno no máximo sem perder calor. Assim foi. 45minutos e estavam douradinhas. Tão bonitas que elas estavam! E o cheiro? Delicioso. Tiramos as broinhas, uma a uma retirávamos as folhas também. Foram para o alçapão novamente. Estávamos apaixonados por elas. Fomos para a sala e decidimos experimentar uma aleatoriamente (a menos cozida). Cortamos fatias e acompanhamos com chá. Eramos 7 mas não sobrou fatia. Estava tão bom. Uma espécie de bolo levedo, mas mais crocante. Ligeiramente adocicado mas com uma que dá para comer mesmo sem acompanhamento. Um doce para os sentidos! Tão bom, tão bom que serve para sobremesa, almoço ou pequeno-almoço. Nos trouxemos uma e vamos comer e se possível repetir a receita. Gostamos, e ao que parece vamos criar uma tradição para nós também. Partilhamos uma ideia que é boa para quem está farto de comprar ou fazer sempre os mesmos bolos. Nós fugimos de casa… e fomos bem acolhidos. Obrigado Cláudia, D. Ilda, Paula e Vasquinhos!