galafura

Fugimos e adoramos fugir.
Partilhamos porque achamos que há quem como nós, também goste. Desta vez, fugimos com 2 amigos que como nós de vez em quando também fogem. Nem sempre temos de ir dormir a sítios bonitos ou jantar coisinhas boas e bonitas.
Isto de fugir não tem muito que se lhe diga. É simplesmente ir. Sair de casa.
Arrancamos bem cedo para aproveitarmos o máximo possível e para não apanharmos muito frio. O destino era o reino maravilhoso. Trás-os-Montes. Compramos algumas coisas para não passarmos fome nesta nossa aventura. Deixamos o carro em Galafura. Um dos locais mais icónicos no Douro e trás-os-montes.

Fomos bem equipados. Desde mochilas leves e confortáveis, a sapatilhas da de caminhada ou roupa um pouco mais técnica. Às vezes descura-se este detalhes, mas estar bem equipado pode fazer toda a diferença- Umas sapatilhas confortáveis e resistentes, podem ser a diferença ente conseguir fazer 3km ou 10km ou entre conseguir concluir o percurso sem dores ou bolhas nos pés. Pode ser a diferença entre ter frio ao arrancar e todo transpirado e ensopado passados poucos momentos. Pode ser a diferença entre ficar todo molhado com a chuva e ir a sofrer o caminho todo com frio. Desta vez apanhamos apenas um pouco de frio. Como levávamos várias camadas era mais fácil adaptar a temperatura às condições. Mochilas preparadas era tempo para nos colocarmos ao caminho. Infelizmente quando arrancamos um nevoeiro estava muito cerrado e não dava para apreciar a paisagem mágica do miradouro. Mochilas às costas e pusemo-nos ao caminho. Um trilho à direita e fomos descendo por um trilho que atravessa as ladeiras das vinhas. Descidas ingremes em direção ao rio Douro. À medida que descíamos o nevoeiro desaparecia e mais da paisagem conseguíamos ver. Paisagem fantástica. Fomos caminhando nas calmas e apanhando alguma fruta pelo caminho. Falar, brincar e tirar fotos. Respirar o ar puro e relaxar. Podem não acreditar, mas isto faz-nos bem. A nossa caminhada nos trilhos já ia longa e o apetite apertou. Ainda bem que tínhamos comprado e juntado algumas coisas para comer. Estendemos uma toalha mesmo em frente ao rio. A palha também era fofa. Sentamo-nos e começamos a partilhar a nossa comida. Como qualquer bom português, sabe sempre trazer um “mata-bixo” para enganar a fome. Sanduiches, batata frita, fruta e outros.

Sentados nesta paisagem qualquer coisa nos ia saber bem. Voltamos ao nosso caminho, agora já em alcatrão, os socalcos já estavam a ficar para trás e só o Douro nos acompanhava. Barcos a subir e descer, do outro lado, quintas imponentes, com caminhos e socalcos bem desenhados. Era trabalho de muitos anos. Tão bem desenhado, tudo tão bem aproveitado. Aqui está tudo tão bem feito, que é claro o vinho que daqui sai tinha de ser do melhor que há. Caminho abaixo, Covelinhas À vista. Uma pequena Aldeia desenhada na encosta. Uma pequena ponte por onde passa o comboio faz também de dique e guarda a Água da do rio banhando toda a aldeia. Aliás esta aldeia parece ter nascido com as margens do rio. Por outro lado o tempo não parece passar por aqui. As casas arranjadas mas sem blocos de cimentos. As camionetas também com décadas. Atravessamos as ruas estreitas e mais umas fotos. Aceleramos o passo pela estrada até a Galafura. A partir daqui o caminho era sempre a subir. As paisagens eram de cortar a respiração e parecia não custar assim tanto. Fomos passando por várias quintas. Não faltavam homens a trabalhar nas mesmas. As carrinhas pick-up bem características desta zona começavam a aparecer. Já não faltava muito para o Sol se por. Era tempo de irem para casa e descansarem. Íamos metendo conversa e conhecer um pouco mais do que se fazia e da zona. Pessoas simples e simpáticas. Seguimos viagem com o objetivo bem traçado. Ainda faltava um bom bocado. Passado mais um pouco, uma carrinha parou e perguntou-nos se queríamos boleia. Foi um convite demasiado tentador para recusarmos. Subimos para as traseiras e fomos até À entrada da aldeia. A partir daqui estávamos por nossa conta. Estávamos bem equipados e a temperatura não se estava a fazer sentir. Aceleramos mais um pouco, mas não deixamos de conversar e a diversão não faltava. Até que o “é já ali” finalmente se tornou verdade e lá chegamos. Infelizmente hoje o famoso restaurante estava fechado. Não tivemos a sorte de provar nada. Puzemo-nos em marcha em direção a Vila Real. A fome já apertava e paramos no famoso Senhor Vinhos. Conhecido por se comer muito bem . Pedimos a famosa posta à transmontana. Chegou rápido e com um ótimo aspeto. Alta e macia e com um tempero simples mas no ponto. Vinha acompanhada de uma salada e dumas batatas as rodelas que tivemos de provar mesmo antes da posta. Vinha no ponto. Nem crua nem demasiado passada. A Quantidade parecia muita. Parecia porque depois de nos assustamos com a quantidade inicial, a verdade é que com algum esforço, não sobrou nada no prato. Não sobrava apetite para a sobremesa mas não resistimos. Caseiras, tivemos de provar. No fim era preciso pagar. Não chegou a 10€ por pessoa. Fomos agradavelmente empanturrados. Na viagem fomos a fazer a digestão e em casa continuamos a fazer. O sabor veio na boca e o passeio na cabeça. Dia pequeno, mas pareceu tão grande que chegamos de coração cheio e com vontade de fugir outra vez. Não precisamos de ir para longe, basta fugir.