Estava frio e depois de tanto frio finalmente vinha a chuva. A verdade é que com este tempo, dá menos vontade de sair de casa. A vontade de fugir não desaparece. Frio e chuva, dá neve algures. A neve é bonita e tem andado um pouco fugida. Toca a pesquisar onde há perto, e como podemos nos divertir. Decidimos no dia e marcamos para ir a Galiza. Bem aqui ao lado e com neve certa. É uma opção rápida e barata (tendo em conta a distância da serra da estrela e o valor das SCUTS). Se a isto juntarmos que ainda não temos muita oferta para atividades de Inverno, a nossa opção pareceu lógica. Ultrapassando os detalhes burocráticos, poderíamos mencionar porque haveríamos de fugir. Há muitos para o fazer, mas a neve parece mais do que motivo para o fazer. A cidade ( a 40km de Manzaneda) não tinha grande coisa que dizer. Muitos edifícios inacabados com tijolo à mostra e outras curiosidades estranhas. A própria zona de Manzaneda também não. Sem querermos ser convencidos, a verdade é que temos um país lindo e com bastante encanto. Devia ser mais aproveitado. Na pequena vila tentamos alugar material para finalmente experimentar ski. Tivemos 1 hora e sorte. Alugamos o último kit com o nosso tamanho. Serra a cima fomos com calma e parando para conhecer os pequenos locais. A meio, uma casa muito bonita e com uma vista fantástica… abandonada. Gostamos de ver e imaginar o que se passou no passado em cada detalhe. A vista decorada com neve, tornava-a ainda mais especial. Gostamos muito. Era já altura para continuarmos a subida até ao alto de Manzaneda. Perto do topo tivemos a noção que não somos os únicos a querer fugir para a neve. Portugal e Galiza fugiram para Manzaneda. Segundo ouvimos, por ter sido um ano fraco em neve, tenta-se aproveitar cada bocado, daí esta afluência. Tivemos dificuldades em chegar ao topo e em estacionar. Lá em cima tinha umas pequenas casas em formato de bungalow que gostávamos de ter passado a noite. Cama com a janela virada para a neve da montanha. Não deu, mas deu para apreciar. Pela primeira vez decidimos experimentar ski. Alugamos o material e pagamos o forfait. Não é barato, mas também faz parte arriscar e experimentar. A nossa sugestão para estes dias é levar roupa apropriada. Casaco, calças e luvas de neve. Têm de ter atenção à escolha. Os casacos e calças devem ter propriedades repelentes À agua (neve). É bastante importante a qualidade da roupa, para nos proteger da humidade e frio. A proteção deve ser feita sempre por camadas, mais do que apenas um bom casaco. Desta forma torna-se uma proteção mais efetiva. A roupa interior deve ser justa, respirável e de rápida secagem de forma a mantem sempre seco o interior. Ou seja quente e confortável.

Para entrar, demoramos muito. Estava muita gente. As primeiras dicas davam a perceber que não ia ser fácil. Sentamo-nos nas cadeiras que nos levaram até ao topo da montanha. A sensação de estar suspenso e passar entre as árvores é realmente especial. Já no topo, é tempo de nos pormos de pé. Primeira dificuldade. Os skis começam a deslizar e começa a primeira aventura. Apenas no topo existe uma pista de iniciação. Altura de descer e diga-se. Tempo de cair. Apesar de ser perceber qual a sequência a fazer corretamente, faze-lo é bem mais difícil. A sensação de esquiar é de liberdade e alguma adrenalina. Infelizmente tivemos que nos contentar com uma pista (só havia esta). As demais já tinham uma inclinação considerável. Infelizmente também, tínhamos de estar bastante tempo ( cerca de 20m) à espera para tentar novamente a mesma pista. Ou seja esperávamos 20m para em 1 minuto descermos a pista. Era um bocado frustrante para quem estava a aprender. Vez após vez íamos sentindo confiantes e sem cair. Queríamos ter feito mais, mas tanta espera não dava para mais. A neve estava bonita e pelo menos os pequenos reboques na neve iam ajudando à festa. Provavelmente na próxima vez, teremos que ir para outro local com mais pistas de iniciação. Ao irmos embora, tivemos o sacrilégio do transporte do material. É material pesado e reforçado. Fomos embora nas calmas para fazermos o jantar e descansar para o dia seguinte. Ao acordar o dia continua frio, mas pretendíamos algo mais relaxado. Apenas visitamos e brincamos na neve pelas pequenas aldeias serranas que encontramos. As pessoas eram simpáticas, bem ao jeito português. Talvez as parecenças connosco sejam maiores. Sentimo-nos bem-vindos e bem próximos de casa. Parece um bom motivo para voltar. Um bom motivo para sair e voltar a fugir.