Fomos passar um grande fim de semana a Carreço no Albergue Casa do Sardão. Muito perto de Viana, mas o suficiente para ficar longe de qualquer tipo de confusão. Para nós foi um fim de semana diferente dos que costumamos publicar. Tivemos a companhia de amigos e partilhamos a experiencia de uma forma diferente. Um local é feito pelas pessoas. Por esse motivo e mais alguns, este é lindo. Por algum motivo tivemos dificuldade em chamar-lhe albergue e para nós era apenas, Casa do Sardão. É de facto uma casa. Por ser tudo tão familiar e tudo tão descontraído. É verdade que o Hugo ajudou a que nos sentíssemos como em casa, mas tudo é tão descontraído que nos sentimos realmente à vontade. Estivemos sempre À vontade, em todos os locais e em todas as alturas. Esta descontração aqui é natural. Os animais fazem parte da casa e naturalmente também estão à vontade. Os cães, as ovelhas, as éguas até mesmo os pavões estavam também à vontade.

Um sonho para um peregrino…

Passando à descrição da casa, está muito bem enquadrado no sítio. De frente, uma vista para a praia, nas costas da encosta do Monte do alto do Mor. Muito rústico mas extremamente bem recuperado. Nas traseiras da casa, as árvores e as ovelhas a passear. No pátio uma mesa longa para ceias e convívios. Lá dentro, a pedra é rainha. Desde os lavatórios às paredes. Interessante é ver que ainda assim conseguiram conjugar com detalhes mais modernos. A decoração apesar de simples remete-nos para o passado e para as lembranças mas mais que tudo com bom gosto. Desde a coleção de máquinas fotográficas antigas (não são velhas), aos quadros de publicidade mais vintage… As casas de banho são muito limpas e bonitas e apesar de não serem muito grandes, têm o tamanho perfeito. Diga-se que até chamam À atenção pela positiva. No quarto, são camas-boliches. Não são daqueles de ferro e estreitos e que abanam como a ponte D.Luís no S.João. Não. Apesar de altas, são muito largas e colchoes muito confortáveis. Custa um bocado a subir, mas com sorte nem notam. O Hugo tinha feito uns armários individuais para cada um poder guardar os seus pertences. Parece que não, mas num espaço partilhado, é muito útil.
Passando ao nosso fim de semana, chegamos tarde para irmos jantar e depois sair até Caminha. A parte boa é que estávamos era ansiosos pelo banquete/pequeno almoço feito pela Cláudia. É claro que todos ajudaram, mas a madrinha do evento foi mesmo ela. Tivemos direito a pão caseiro, panquecas, mel e doces igualmente caseiros e o famoso cáfe phin de filtro. Digamos que é um estilo vietnamita em que o café é filtrado diretamente para a chávena. Claro que é bom, mas o ato de o fazer lentamente e personalizado, faz-nos ainda apreciar de toda esta refeição. Digamos que não há grande coisa a dizer e falamos em refeição, porque comemos tanto e mais houvesse, nada ficava.
Era tempo de sair da casa e explorar, mas sobretudo desgastar o grande pequeno-almoço. Fizemos uma caminhada muito boa pelos trilhos do monte do farol e do forte de Paçô. Uma das coisas que adoramos nesta zona é casamento entre o mar, serra e tradicional. Pudemos ver tudo numa só caminhada. O farol, moinhos, casas contemporâneas, trilhos paralelos ao mar, praias quase desertas ou mesmo os campos de milho bem cultivados. Tudo em poucos quarteirões e sem as confusões de grandes centros. Foi longa a caminhada pois estávamos bem entretidos. Mas a fome apertou e fizemos um almoço/alancharado na grande mesa do pátio da casa. Parecia a sagrada família. Mais um vez, divinal e nada sobrou. Já não saímos mais, pois estávamos demasiado bem para sair. Alguns ainda se aventuram a um banho no tanque da casa, mas é certo que o Sol não estava muito simpático. Fomos ao café da estação de Carreço e provamos o bolo que estava a sair do forno. Muita simpatia da mulher que preparava a festa que iria haver mais tarde. Com isto tudo foi o tempo de chegarem mais amigos e juntarem-se a nós. Mais um motivo para nos juntarmos à mesa e partilharmos mais um belo jantar. Desta vez um belo arroz de tomate com pataniscas de bacalhau. Fofas e caseirinhas. Ocupamos a mesa toda, mas conseguimos convidar um peregrino que se juntou a nós. Cláudio, Italiano, viajava sozinho desde França pelos caminhos de Santiago. Chegado ao destino (Santiago), não queria mais voltar ao seu país e queria continuar a viajar, se possível até à América do Sul. Estava de bicicleta e ainda ia passar pelo Porto e passar por Fátima e outros locais. Não exploramos muito a sua história, preferimos antes acolhe-lo e mostrar o bem-receber português. Com o nosso carisma, simpatia e já agora… comida. Foi um jantar muito animado. Não podemos convidar os 2 jovens alemães que chegaram entretanto. A mesa interior já estava cheia e o arroz estava bom demais para podermos sobrar o que fosse.
No dia seguinte repetimos a dose de Sábado. Podíamos dizer muita coisa, mas essencialmente voltamos a repetir porque foi muito bom. Se foi bom, porque não faze-lo outra vez?
Desta vez mudamos o local e aumentamos a companhia. Fugimos e fomos para um albergue mas a verdade é que era uma casa. Parecia nossa. O Albergue é relativamente novo e sabemos que nas próximas vezes dificilmente conseguiremos tê-lo quase só para nós. Não importará muito. Porque o que tem realmente de especial, são as pessoas que o fazem. E pelo que vimos, e lemos também no livro de visitas, este é um lugar que fica marcado. Que apesar de receber portugueses, espanhóis, americanos, franceses, japoneses, polacos e outra imensidão de pessoas de todo mundo, peregrinos ou não, o que aqui se encontra é uma casa. Mais longe ou mais perto dela, aqui sentimos um pouco da nossa.

WEBSITE: Albergue Casa do Sardão