Nas redondezas podíamos ver algumas amostras de street art proveniente do walk & talk. É uma espécie de Festival que promove a arte urbana pelos Açores. É de artistas portugueses e estrangeiros. É possível que não se intitulem como artistas, mas é sem dúvida uma forma de arte. Não tem muitos anos, mas o sucesso foi tão grande que é já uma certeza e uma referência. Não existe uma área apenas para o efeito. Pode-se encontrar por toda a cidade e pelo que percebemos já irá espalhar-se por toda a ilha e às outras ilhas de igual modo. Quando ao resto da cidade tem uma arquitetura muito própria. Aproveitam muito a pedra da própria da ilha e daí se notar o tom muito escuro nas fachadas. O paralelo é também muito escuro. Aqui nas ruas não há muita azáfama, parece tudo correr lentamente. Aliás, é uma das coisas que mais se pode valorizar. Pode-se dizer que há qualidade de vida, muita. Nota-se que a cidade está a evoluir com a chegada de muita gente. Existem turistas por todo o lado e parece que não esperavam tantos. Daí se notar um pouco voltada para dentro e a faltar um pouco de mais variedade de tudo. Daí ainda conseguir encontrar várias lojas clássicas e genuínas como já não se vê no continente. Aqui aproveita-se tudo e faz-se como se fazia antigamente. Os móveis, as casas e as ruas são assim. Descobrimos uma tipografia mesmo no centro. O cheiro a máquinas e a tinta convidava a entrar. Olhamos e o Sr. Botelho convidou também. Tipografia Micaelense. Não resistimos. O Sr. Botelho foge todos os dias para a sua paixão. Sabemos isso, pela maneira como falava e olhava para cada “tipo” enquanto abria cada gaveta. Em cada gaveta, uma história. Falou-nos dos processos e do passado, quão bonito e original era preciso ser. “Hoje em dia, copia-se, já não se cria nada. É tudo instantâneo”. Para se compor cada impressão demora bastante e é preciso fazer pela ordem contrária. É preciso conjugar e procurar cada letra, espaçamento ou mesmo desenho. Mas é isto que a torna tão especial e mágica. Aqui conhecemos também o genro do Sr. Dinis que estaria a ajudar a colar algumas capas. O tempo passou sem darmos conta. Era tempo de continuarmos. Há tanto que fazer.

Fomos ao jardim António Borges, em pleno centro da cidade. Não é gigante, mas também não precisa de o ser. É bonito e muito natural. Não podíamos deixar de falar dos restaurantes açorianos. Há onde melhorar, mas há principalmente muito para explorar. Estes dias foram relativamente fáceis para arranjar mesa. No entanto o nosso conselho é que marquem com antecedência. Em época alta, onde fomos adoramos. Aconselhamos “A tasca” e o seu bife de atum. A oferta da casa muda todos os dias e desta forma poderão encontrar menus bastante diferentes. Têm também o Alcides e os seus famosos bifes. Um pouco mais caro, mas uma carne boa. Um pouco menos tradicional, mas boa aposta se assim quiserem experimentar umas pizzas bem tradicionais é a Forneria S.Dinis. Com um toque portuense e bom gosto na decoração e detalhe. Para terminar qualquer uma das opções, uma boa caminhada junto à marginal.