A nossa jornada pelo Alentejo tinha mais uma paragem. Estremoz. Um dos locais mais tradicionais e carismáticos do Alentejo. Tínhamos de nos fazer à estrada e deixar Évora, mas demos mais uma volta pelo centro pois tínhamos passado muito tempo a almoçar. As ruas têm carisma e até as placas são iguais e bem enquadradas. Não falta o que ver e por onde passear e já agora, o que comprar. Pequenas lojas de souvenires e artesanato local destacam-se pela positiva. A tradição alentejana orgulhosamente exposta. Cortiça e muito azulejo. Podiam ser apenas casas com imanes ou postais, mas mostram o que de bom há no Alentejo. Difícil é escolher o que trazer. As padarias, publicitavam o famoso pão alentejano, pão com passas, pão de Esteva, pão de monte, queijadas de Évora e a nossa já conhecida Sericaia. Mais uma escolha difícil. Local de paragem obrigatória é templo de Diana e também a Igreja Catedral. As ruas também revelam a arquitetura própria e as influencias da ocupação Moura dos tempos passados. Quase que nos remete para a nossa viagem a Marrocos. O caminho faz-se caminhando, mas nós fizemo-nos à estrada até Estremoz. A estrada é muito bonita sempre ladeado pelos montes alentejanos.

Entrámos nas muralhas onde estava localizado o nosso destino. O bonito Pateo dos solares. Ao chegar nos parecia uma espécie de palácio. Era mais imponente do que nas fotos. Fomos logo espreitar a vista que tínhamos. Estava um por do sol incrível e nós tínhamos este privilégio. Atrás de nós a piscina que estava vazia por estarmos no Inverno. Nós olhamos para ela, mas o frio falou mais alto e não nos atrevemos. Uma calçada nos levava até à receção. À volta uma decoração clássica e com divisões muito espaçosas. Um bar muito aconchegante e os sofás virados para a lareira convidou-nos a ficar e sentir. E ficamos. “Com o frio que estava lá fora, era mesmo isto que vinha a calhar”. Demoramos a subir até ao quarto. O corredor era longo e a julgar por tudo que tínhamos visto, era quase certo que estávamos num palácio. O nosso quarto era espaçoso e tinha uma janela redonda sobressaída. Parecia que estávamos num cruzeiro . Descansamos um pouco da longa viagem. A cama era muito confortável para lhe resistir. Passou tanto tempo que já nem jantamos. Estávamos cheios do almoço e preguiçosos, mas sinceramente, a culpa era da cama! Quando acordamos, estávamos cheios de apetite, pudera! Torradas do famoso pão alentejano, compota a juntar aos bons queijos alentejanos. Foi uma boa maneira de começar o dia e ganhar energias para conhecer um pouco de Estremoz.

Os Bonecos de Estremoz

Pelas ruas, é famoso ver mármore e pouco tempo depois percebemos, que aqui há extração desta pedra. Rua acima e fomos para o centro. Mercado mesmo no centro com tudo o que é produto fresco e da zona. Pelo caminho vimos 2 locais que tivemos de parar. Os famosos bonecos de Estremoz. Para nós era algo de novo, mas pelos vistos nesta mesma semana, tinha sido alvo de atenção pela televisão por ter sido considerado património cultural da Unesco. De facto, eram originais, coloridos e muito bonitos. Vimos a perícia e o tempo que demora a fazer cada um. Todos à mão e em barro. Uma autentica arte.

“Não conseguimos entregar tudo o que nos pedem e encomendam. Vamos fazendo o que gostamos e dedicamo-nos a cada um.” Cada artista tem o seu traço e é uma característica também a tornar cada um único. O tempo que dedicam a cada um é tanto que desabafam. “é difícil despedirmo-nos deles”. Existem dezenas de bonecos e cada um representa uma arte e tradição alentejana. Alguns bonecos são mais famosos em algumas áreas. As senhoras que vendem os tapetes, as que “enchem chouriços”, os Peraltas e as coloridas primaveras. Nós resgatamos o famoso “ o amor é cego”. Reza a história do príncipe que teve de casar obrigado e sem conhecer a noiva. Daí a simbologia. Ver esta arte, deixa-nos quase sem opção, senão trazer um connosco.

Tanto para visitar

Local de visita obrigatória é o castelo de Estremoz. Muito bem cuidado, e as suas torres têm uma vista de cortar a respiração. O Alentejo de perder de vista, e as vilas que cercam Estremoz, nos seus montes e castelos também. Do tempo de D. Dinis, aqui chegou a governar. Rei que conhecia bem o seu país e teve medidas de fundo para desenvolver cada região. Daí não é de estranhar ter sido aproveitado o mármore para construir o castelo, tornando-o mais bonito e único. Com a vista do alto da torre do castelo (não recomendado a quem tem vertigens), conseguimos a perceção da nossa boa escolha em relação ao Páteo dos solares, estamos no coração do Alto Alentejo e daqui conseguimos chegar rapidamente a grande parte dos pontos de interesse da zona. Uma espécie de quartel-general para quem quer conhecer o Alentejo.

WEBSITE: https://www.pateosolares.com/