Depois da nossa boa experiencia no Alentejo, agora decidimos e mesmo ao coração desta região. Estremoz e Évora. Apesar de um pouco distante de nós, não demora assim tanto, visto existirem boas estradas até lá. Ficamos a dormir já no interior de Évora. As muralhas ajudam a perceber que vamos entrar no centro. As ruas mantêm-se originais e muito bem conservadas e de certa forma cria uma espécie de mística a quem visita. Em vez de incursões muito modernas, cultiva-se e cuida-se o que tão tradicional aqui tem. Nas nossas fugidas, vemos muita coisa mas de facto o que tentamos partilhar é o que mais gostamos e as coisas novas que descobrimos. Para que, como nós, saiam da rotina e se mantenham apaixonados. Tivemos uma grande surpresa enquanto passarinhávamos pelo meio das ruelas. Numa rua pequena havia um perfume de cozinha que nos chamava atenção. Como bom português nada melhor que perguntar aos locais “onde se come bem?”. – “Olhe, aí mesmo, mas convém ter reserva”. Está dito. Taberna Típica Quarta-feira era o que tínhamos em mente. Entramos e fomos abordados: “ Boa tarde, têm reserva?” – Não! – “Estão com sorte! Temos esta mesa para vocês. Sentem-se” ( disse com um sorriso na cara. Olhamos à volta e todas as mesas estavam ocupadas e movimentadas. Neste momento apresenta-se. “ Eu sou o João, bem-vindos, é a primeira vez que nos visitam?” – “Sim” – “ Então, ficam a saber que aqui não escolhem o que comem. Eu vou trazer algo que vão adorar. Na próxima vez que cá voltarem, porque vão voltarem, avisem para que assim provam outros pratos”. Nós arriscamos, sendo que olhando à volta, não era grande risco, era aposta quase ganha. Gostamos da abordagem e da simpatia. É bom sermos surpreendidos. Passados uns momentos, sai o patriarca da casa da cozinha e apresenta-se. “Olá eu sou o José Dias, bem-vindos”. Entre a conversa revelou-nos que era o pai do João e que a menina simpática era a neta. Percebemos o porquê de nos sentirmos em casa. Rapidamente começaram a chegar alguns pequenos petiscos, diferentes que nos deu água na boca. Queijo da serra com paio e doce de abóbora, cogumelos com base açorda e uma salada divinal à base natural com atum fresco e romã… bem… que combinação. Quem disse que não podemos ser felizes à mesa? – “Prato principal, ainda têm fome?” – “Não!” – “Então têm aqui entrecosto com migas de couve-flor ( e eu não gosto de couve-flor) e o outro prato, carne selada do cachaço e depois lentamente assada durante 3 horas”. Com esta descrição, não havia como dizer não. E ainda bem, porque estava muito bom. Parecia comida da avó com sabores bem tradicionais. Foi um banquete. Já não havia barriga para mais nada mas veio sobremesa. Encharcada alentejana. Mel, ovos e açúcar. Digamos que uma espécie de bomba doce. Como senão bastasse vinha acompanhada de bolo de noz e original marmelo cozido. Fomos reis à mesa e o que custou mais foi sair, tamanha boa disposição havia naquele espaço. O Sr.Dias, pai e avô, dava conversa aos senhores mais próximos de si. O João, filho e pai (parecia irmão de ar tão fresco que tinha), conversava connosco e com as mesas à nossa volta. A filha continuava de um lado para o outro e com a mesa grande que tinha no fundo da sala. Cada um tinha o seu lugar dentro desta casa. Não é um restaurante. É uma casa portuguesa, com certeza.

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One comment

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Adorei!!! Já quero conhecer!!

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