A ilha do Pico é provavelmente uma das mais icónicas do arquipélago. É uma ilha visualmente majestosa. De perto ou simplesmente espreitando do outro lado do canal. Uma montanha tão bem delineada oferece-nos imagens dignas de postais. Vermos o topo do pico completamente descoberto, não é assim tão habitual. Aliás esta paisagem em constante mudança é a norma. Uma neblina matinal que vai cobrindo grande parte da ilha, começando a condensar, até que cobre a meia altura a ilha, deixando apenas a base e o cume descobertos. A nossa chegada à ilha foi de ferry, vindos da Horta. A viagem é inferior a 1hora. O barco é novo e a viagem faz-se muito bem. Não se sente muito a ondulação. Em dias de mau tempo no canal, pode ser diferente, mas não foi o nosso caso. Pode-se escolher um lugar no interior ou sentado no exterior. Muito bom para quem quiser tirar fotos da ilha. O avistamento de baleias e golfinhos no canal não é muito habitual e não deixem de estar atentos. Tours de avistamento de baleias são muito famosos em ambas as ilhas e não faltam opções. Primavera e o Verão serão as alturas que existe mais probabilidade de avistamentos e Maio talvez a ideal. Têm de estar preparados para botes grandes e coletes salva-vidas como parte do pacote.

Descemos no cais da Madalena e alugamos uma scooter mesmo à saída. Já a tínhamos reservado previamente e poucos minutos depois já estávamos a caminho pelas belas estradas da ilha. Sempre que puderem, reservem a vossa estadia e aluguer de carro/mota com antecedência. Nos meses mais concorridos pode ser complicado arranjar solução na hora. Mesmo em termos de restaurantes, se forem de referência, reservar não é mal pensado. Voltando à nossa viagem, rodas na estrada e sempre a direto em direção às Lajes do Pico. Iriamos ficar a dormir por esses lados. A estrada nacional dá a volta à ilha e leva-nos por paisagens bonitas. Oceano de um lado, montanha do outro e por norma, vinhas em terreno basáltico entre ambas. Todos os muros de pedra negra a delimitar cada um dos espaços, estradas em terra que as atravessam. Fomos andando nas calmas, pois a cada quilómetro que passava víamos mais um motivo para parar e tirar foto. As adegas (casas típicas) daqui são muito bonitas e contrastam muito bem com toda a paisagem das vinhas. Estas vinhas foram consideradas património mundial da Unesco. A forma de cuidar e vindimar não é muito prático, mas por esse motivo é que é tão especial. Cada uma das vinhas requer uma atenção muito personalizada. As estradas em terra batida são melhores que algumas estradas nacionais no continente. Pelo nosso caminho íamos passando por faróis e moinhos de vento lindíssimos. Mais motivos para parar. Pelo caminho íamos encontrando pequenas praias, que eram manipuladas e tornavam-se pequenas piscinas. A água é muito limpa e o azul hipnotizante. Não resistimos e mergulhamos. Grande parte das praias que passamos até chuveiro de apoio tinham. O nosso destino final foi o museu dos baleeiros. Quisemos conhecer esta arte tão famosa nesta ilha. Não somos adeptos de qualquer tradição que magoe animais, mas este museu é também um lugar onde podemos, principalmente, saber mais sobre as baleias que costumam visitar o arquipélago. Foi isto o que nos trouxe até aqui. Um animal tão raro e elegante. Ficamos a respeitar a arte baleeira. Foi herdada dos americanos e Canadianos e depois adaptada pelos açorianos. Era habitual os americanos desertarem e abandonarem a embarcação e a profissão à passagem pelas ilhas. É uma arte muito dura e como tal os mestres das embarcações procuravam pessoal nas ilhas para ajudarem na caça da baleia. Assim foi. Aprenderam a arte e voltaram para os açores. Adaptaram os barcos e as técnicas às suas possibilidades e assim conseguiram. Nasceu de uma necessidade. A população passava dificuldades e esta possibilidade abria possibilidades para obter o rendimento extra que era tão útil. Enganem-se aqueles que pensam que a baleia era apanhada para se comer a carne. Partes eram usados para o fabrico de cosméticos e outras para óleo de aquecimento. No museu vimos um filme do século passado que contava a história de vários baleeiros. Hoje em dia a baleia é muito respeitada e adorada. Apesar dos horrores passados, é um museu de visita obrigatória. Para irmos embora, aproveitamos para atravessar a ilha. O topo do pico não é acessível de carro e como tal, têm que o fazer a pé por trilho. Existem várias empresas que disponibilizam tours até ao topo. Os mais famosos são noturnos. Nós atravessamos das Lajes do Pico e do outro São Roque. Apanhamos uma chuvada, mas o caminho era lindo. Perdemos a conta aos quilómetros ladeados por flores. No planalto muitos pequenos montes verdes na companhia das pastagens para as vacas. Descemos até São Roque.  Tem vista para a ilha de São Jorge e tem ferry direto também. Existem companhias de aluguer de automóvel, que permitem alugar o carro na Madalena e entregar noutro ponto de saída ilha, como por exemplo São roque ou o aeroporto.