O nosso novo destino levou-nos a um lugar fora dos roteiros turísticos. Ainda que de vez em quando aconteça, somos fascinados pelos pequenos paraísos que vamos encontrando mais no interior.
Cabeceiras de basto. Já na periferia do Minho a um pé de Trás-os-Montes foi o local que escolhemos, mais propriamente na Quinta do Rapozinho, que fica a poucos quilómetros do centro. Talvez por estar numa zona de transição exista uma grande diversidade desta zona em termos de paisagem e locais de interesse. Não está muito explorada em termos turísticos o que até nos agrada. O caminho foi feito de carro e diga-se que até se faz bem. Já chegamos de noite e por isso já não conseguimos ver muito bem a zona. Na receção já nos esperava o Paulo. Uma grande sala que tinha sido convertida e restaurada a partir de um antigo lagar de azeite. Muitos produtos locais expostos e ainda brochuras do que há para visitar nas proximidades. Na verdades dispensamos tudo isso pois, com a apresentação do Paulo, ficamos seguros do que íamos realmente visitar e fazer. Gostamos de natureza, história e de comer bem . Escolhemos bem. Apesar de termos chegado tarde, fomos muito a tempo de uma das sugestões… 15minutos e estávamos em Arco de Baúlhe. Uma das referências da região. O Caneiro. Conhecidos pelo polvo e excelente oferta de vinhos. Nós sublinhamos a sobremesa também (pecados d’avó). Muito calórica mas vale bem a pena. Foi uma boa indicação. Voltamos à “nossa casa” e aí conhecemos mais de perto o nosso ninho. Na quinta temos várias casas, sempre bem enquadradas com espírito mais rural. Sempre usando materiais da zona e de preferência recuperar em vez de fazer novo. Quem valoriza, como nós, aqui vai ficar bem entretido algumas ideias bem originais. Numa das casas, os quartos foram construídos a partir de grandes pipos de vinho. Fica difícil de imaginar, mas depois de la estar, vimos que realmente era possível. São já famosos por esta ideia “fora da caixa”. Mais do que felicitar pela originalidade, importante a maneira positiva como conseguiram enquadrar tudo no meio envolvente. No exterior, de uma maneira mais privada tem a zona de parque para as crianças e a zona da piscina. Camas de rede, cadeirões e até um bar de apoio. Tudo com vista para a serra da cabreira. Dos sítios que já fugimos aqui foi um dos que sentimos mais paz. A nossa casa era bem grande e essencialmente em granito e Madeira. Tinha 2 andares e é ideal para famílias ou se estiveram com casais amigos. A zona exterior tem uma vista incrível para a serra e é também resguardada. Tem uma sala com salamandra que bem sabe no Inverno nesta zona e uma cozinha completamente equipada. Nos não chegamos a utilizar, pois andávamos preguiçosos e cansados do trabalho fãs últimas semanas. Na nossa última noite tínhamos reservado para jantar e foi uma bela surpresa. A Matilde é responsável pela cozinha na quinta e ainda nos trouxe um belo banquete até à casa. Comida tradicional, mas muito bem feita. Deu para jantar e almoçar no dia seguinte. Uma salada com produtos da quinta, folhado de sementes e enchidos com uma sopa de abóbora e coentros que ainda hoje estamos a pensar voltar só para a voltarmos a provar. Bacalhau assado no forno à lagareiro e para sobremesa a melhor mousse de lima e pêras bêbadas. A lista é grande , daí ser quase um banquete. A quem visitar é algo que realmente aconselhamos. A Matilde conquistou-nos pela barriga e pela simpatia.

Falar da Quinta do raposinho, temos de falar do incrível pequeno-almoço. Serviço por cima da receção e possivelmente num dos sítios mais bonitos da quinta. Vários objetos com história adornam bem o espaço. Pão de montanha, enchidos e outros produtos da zona. Bolos caseiros e diferentes todos os dias, Muesli caseiro que repetimos e ficamos fãs. Tivemos a companhia e amabilidade do Sr. Armando também ao pequeno almoço. Um dos autores e responsáveis de muitos restauros na quinta. Mais do que isso um homem que adora história e de contar histórias. Foi uma das nossas grandes companhias durante a nossa estadia. Contou-nos a história de cada uma das casas e algumas das ideias para cada uma. Esquecendo as casas e a quinta, o conhecimento que tem de história e histórias é cativante e o motivo para conseguir reunir as pessoas à sua volta de uma forma natural. A história conta-nos a razão de ser. Quando a sabemos, valorizamos ainda mais o que temos. Por isso foi fácil sentir que valorizava muito a quinta e que gosta do que faz. A história fez nos valorizar ainda mais o que temos.
Falar da quinta é falar também de toda a componente familiar. Um local excelente para famílias e para quem tem crianças. Apesar de pouco explorado a zona, já se começa a encontrar vários pontos de interesse e já começa a estar no mapa também. A caminhada dos moinhos de rei é imperdível. Seja no Verão seja no Invernos. Matas quase intactas já são raras e uma tão bonita ainda mais. No centro da vila poderão visitar o centro interpretativo de vinha de mouros onde podemos ver alguns dos animais mais característicos, da região e tem até espaço para picnic. O mosteiro barroco de S.Miguel de refojos que está a ser restaurado mas vale a pena a visita. Tem ainda a casa do tempo bem próximo que é um museu interativo que nos leva de regresso às nossas origem mas de uma forma bem moderna e atual. Perto da quinta tem a casa da lã. Às quintas-feiras há tecelagem. Motivos não faltam para voltarmos a fugir e contarmos mais algumas histórias.

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