É verdade que gostamos de fugir da confusão, mas vivendo no Porto, o desafio é encontrar os sítios menos explorados que ainda sejam um pouco nossos. É o que temos tentado fazer. Não somos fechados ao que apenas conhecemos e se há uma arte por trás, alguma coisa de especial também terá. Desta vez fomos aprender sobre (e provar) cervejas.

Nós visitamos “a Fábrica” que por acaso até é numa das ruas mais conhecidas do Porto. O nome diz praticamente tudo. Podemos ver como é feita a cerveja, o processo, até os ingredientes que se utiliza. Ah! No final, ainda mais importante, beber as cervejas, se possível com uns petiscos. Tivemos uma professora muito simpática que nos ensinou um pouco sobre as cervejas.

Marta, fez-nos uma visita guiada pela fábrica e até nos respondeu a algumas perguntas menos lógicas de dois que bebem este néctar, mas que pouco sabem do que bebem. “Somos o que comemos”, mas também somos o que bebemos. Segundo nos contou, a cerveja terá sido descoberta há muitos séculos atrás, por descuido talvez, quando deixaram cereais num vaso e após a chuva e deu-se a fermentação. Deram essa bebida aos escravos e estes sentiam ainda mais energia. Curiosamente a criação de cerveja é muito associada aos monges e às abadias. Aliás algumas das mais cervejas mais exclusivas (ainda) são produzidas nas abadias. Passando ao processo poderá interessar a alguns e menos a outros. Mas acreditamos que saber mais sobre a origem, para além de nos fazer mais cultos, faz-nos sobretudo valorizar o que provamos. Chamam-nos mestres cervejeiros. Há arte e sabedoria, mas aqui tentamos perceber os básicos. Nada que não tenhamos já ouvido, desta vez conseguimos ver e cheirar. Água, malte e o lúpulo abrem o mote. O malte é feito a partir da moagem dos cereais. Seleção, limpeza, germinação e a secagem levam a até ao produto final. Junta-se a água e faz-se uma brassagem com temperatura controlada. Filtra-se e volta-se a um aquecimento quando se acrescenta o lúpulo. Este é o responsável pelo aroma mais característico da cerveja. Pode ter várias características. Nuances a mentol, cítrico, frutos verdes, caramelizado ou até frutas mais doces. Daí haver tanta variedade de cerveja. No final do processo, antes da fermentação existem arrefecimentos e aquecimentos minuciosos para garantir que não há criação de bactérias. A fórmula é mostrada assim como as anotações de todos os processos e temperaturas de cada um dos lotes.

Passando à parte mais importante, que é provar o produto final, experimentamos as 4 que tinham sido produzidas.  1 Weis, 1 Pilsener, 1Gold Brown e 1 Lager ( a famosa que tinham adicionado cânhamo) .  Copo pequeno, mas o objetivo mesmo era experimentar a que mais gostávamos. Não foi consensual pois os gostos variam de pessoa para pessoa. Nós como principiantes ficamos divididos pela pilsener e lager. Apesar de serem do tipo mais comum, esqueçam tudo o que beberam até agora, pois o sabor e cheiro são incomparáveis. Sentimos que estas cervejas tinham mais álcool do que o costume, mas verdade é que acompanham muito bem uns bons petiscos. É difícil dizer qual acompanha qual, mas juntamos um preguinho, uns cachorrinhos e molhamos umas batatas. Refeição, achamos que seria demasiado para acompanhar tão boas cervejas que nos deixamos por estes petiscos. Os preços são bem baixos que até podemos perguntar se estamos mesmo na baixa do Porto. O jardim nas traseiras foi perfeito para o nosso início de tarde. Um autêntico recanto que ainda só agora está a ser descoberto.

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