Desta vez fomos bem alto. Fomos até à Serra da Estrela, mais propriamente até à Covilhã. A zona não nos é completamente desconhecida. Principalmente quando gostamos tanto de bicicletas e de montanha. Mas a verdade é que a cidade ainda não conhecíamos. Ainda bem que o fizemos.

Pode-se pensar que as cidades no interior são desinteressantes ou que até falta energia. Covilhã é oposto disso mesmo. Cheia de juventude e com muita força. Foi das cidades que mais gostamos de estar nesta nossa ronda de aventuras com o fugir. É claro que nas nossas aventuras sobretudo falamos do sítio onde ficamos, onde comemos e o que fizemos.

A Casa das Muralhas na parte superior da cidade foi onde ficamos hospedados. Deve o seu nome por estar localizada numa zona das muralhas da Covilhã. As muralhas ainda conseguem ser vistas em algumas zonas da cidade, mas muitas já são ruínas.

É uma casa com muita história, mas devido ao estado de degradação em que se encontrava, teve de ser submetida a grandes obras e pouco se conseguiu aproveitar da casa original. Está muito bem localizada e apesar de reconstrução consegue estar (muito) bem inserida na área.

No final da rua podemos encontrar um dos murais mais bonitos da cidade. A receção é bastante aconchegante e nas 2 portas ao lado da receção existe acesso separado para o restaurante e para a piscina que pode ser também visitada por quem não está hospedado na casa. Uma das coisas que nos chamou mais à atenção na casa foi atmosfera familiar e aconchegante. Sempre estivemos à vontade, assim como todos os hóspedes. Muito conforto e aconchego também. É de lembrar que aqui os Verões e os Invernos são bem mais severos do que onde vivemos. Mas sentirmo-nos confortáveis, com a temperatura e decoração nestas alturas é indispensável. Secalhar estamos a ficar velhotes para termos reparado nisto, mas a verdade é que nos fez sentir bem confortáveis. Passando a parte de descrições, uma das coisas que mais gostamos é das pessoas. E é isso que nos faz sentir em casa. O Jaime e a Catarina foram uns excelentes anfitriões para que nos sentíssemos dessa forma. Até na chegada à casa, que o GPS não nos quis ajudar.

Falaram-nos da cidade, do que fazer, onde ir e até o que os levou a esta aventura na Covilhã. Acertamos em cheio no fim de semana para visitar a Covilhã. Não faltaram boas opções. Para jantar decidimos por 2 das sugestões do Jaime e para almoçar petiscamos uns snacks na piscina. Com os dias de sol que estavam, tivemos que aproveitar a piscina. Tal como nos disseram alguns locais: – “aproveitem que este ano está a ser complicado para terem dias como estes”. A oferta de snacks e bebidas levou-nos a passar um bom tempo na piscina.

Para jantar, numa das noites fomos ao “Bistro Bar” da casa das Muralhas. Decoração a condizer com a casa. Tinha uma carta “vintage” onde podíamos ver os pratos que podíamos pedir e na parte de trás o “jornal das muralhas”, podíamos ler um pouco da história da casa e do próprio castelo. Passando por várias fases e donos e utilizações, tem neste momento, uma das suas fases mais nobres. Fomos bem atendidos e mais uma vez as pessoas fazem a diferença. Após ouvir que havia uma excelente oferta de cervejas importadas foi o que escolhemos. Escolhemos a famosa Chimay, grande reserva. Uma das trappistes clássicas. Fomos acompanhando com pão e manteiga de mel e creme de queijo da serra. Como pratos principais pedimos o Châteaubriand c/ molho Beárnaise e lombinho de javali c/ puré de maçã e Brás de cogumelos. Foi uma escolha muito apelativa e acertada. Já não sobrava muito apetite, mas como vimos que as sobremesas, gulosos como somos, ainda provamos a Tarte de requeijão e o leite creme ( créme brulé ) c/ aroma de alecrim. O restaurante esteve bastante animado enquanto estivemos. As pessoas sentiam-se à vontade e era coerente com o nosso sentimento aquando da chegada à casa. Sentimo-nos em família. Com tamanha barrigada, não podíamos ir logo para o quarto. Fomos caminhar um pouco pelas calçadas próximas. Reparamos que não faltavam locais interessantes, ouvir, música, dançar, ou mesmo só relaxar e beber um café. Nota-se um espírito jovem na cidade e clubes com boa musica eletrónica não faltam.

Após a viagem as nossas pilhas já não duraram muito, só quisemos ir para o quarto e esperar que a cama fosse tão confortável quanto parecia.

Acordamos um pouco mais tarde do que o habitual, uma semana complicada no trabalho, implica um maior descanso. É de manhã que se começa o dia e foi o que aconteceu. Só quando acordamos é que realmente conseguimos apreciar o quarto e a vista que tínhamos para a cidade. O quarto fazia justiça ao conforto e decoração conseguida no resto da casa. A casa está muito bem situada assim como o nosso quarto com vista para a rua e para uma parte da serra. Quando abrimos a janela sentimos os ares da serra e conseguimos perceber que ia ser um dia bem quente e solarengo. Nada que não esperássemos. Mais do que isso, já tinham passado algumas horas desde que tínhamos jantado. Era tempo para uma das refeições que mais gostamos. A expetativa era alta com todas as boas surpresas anteriores e sabendo que estamos tão perto da serra, a probabilidade de comer algo bom e caseiro também. Como estivemos mais da 1 noite conseguimos perceber que o pequeno-almoço vai variando e não se prova sempre o mesmo todos os dias. Para além da boa seleção de pão, tínhamos sumo natural e bastantes cereais, requeijão, compotas e os famosos enchidos e queijos locais. Mas o que mais nos encantou foram os bolos caseiros, que todos os dias variavam e que por acaso, todos eram bons. Para quem é guloso, é fácil cair em tentação com as queijadas de leite.

As nossas fugidas não se podem limitar a comer e a beber, mas a verdade é que passamos uma boa parte do dia na piscina e também comemos e bebemos. Com o calor que estava, era o local que mais convidava. O bar da piscina ajudou com o Gin e com o mojito madeirense. Que mais se podia pedir? Quando arrefeceu um pouco, aproveitamos para conhecer um pouco da cidade. O bonito Museu dos lanifícios, junto à universidade e caminhamos pela rota dos murais. Os grafitis estão identificados e até já há um mapa onde podemos localizar alguns dos mais conhecidos. Gostos à parte, as portas do sol são um local de visita obrigatória, principalmente pela fantástica vista que tem. Temos de agradecer a um dos funcionários da piscina (o Vladimir), que nos indicou enquanto caminhávamos. Fomos até junto à camara municipal onde jantamos na taberna Laranjinha. Um dos restaurantes mais conhecidos da cidade. Mais abaixo fomos surpreendidos com um concerto de música eletrónica e quando este terminou, fomos em busca das festas dos santos populares. Várias pessoas tinham comentado que na Covilhã iria haver festejos. E que festejos! Música popular e toda a multidão a dançar. Tão bom ver, novos e velhos, homens e mulheres todos felizes e a dançar. Uns com mais técnica que outros, mas todos verdadeiramente felizes. Que grande festarola! Mais uma vez, sentimos que estávamos em família.

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