Não é novidade que gostamos de fugir das confusões e talvez por esse motivo, as nossas escapadelas são reflexo disso mesmo. Encontramos outro local mágico. Mesmo no Sopé da maior Serra em Portugal, a Serra da Estrela. Muito próxima de Seia está a Casa do Fundo, em Tourais. Se a Serra influencia muito esta região, mas esta casa tem personalidade própria. Encanta por ela mesma. Fomos à casa da nossa avó. Dizemos isto com o melhor dos sentidos. A maneira como fomos recebidos pela D. Sílvia, o Pedro e o gato Gaspar, são prova disso mesmo. Muitas vezes sentimos esse sentimento de saudade da nossa infância ou juventude. Sentimo-nos em casa. Estivemos à vontade e mais do que isso sempre com um sorriso disponível que nos fez sentir bem-vindos. Podemos partilhar a mesa com o Pedro, o que ajuda muito a esse sentimento. Conhecer as pessoas, história, e o local. Como se costuma dizer, a melhor rede social ainda são os amigos à volta da mesa. Ia ser difícil isso não acontecer. Tal como na casa dos nossos avós os melhores momentos foram sempre na cozinha e à volta da mesa. Aqui não foi diferente. Numa verdadeira mesa Serrana não pode faltar o pão, enchidos, bom queijo e vinho. E foi por aí que o nosso estômago foi conquistado. Simples e saboroso. A sala jantar partilha a cozinha e se necessário até podíamos cozinhar. Não é necessário, pois o pequeno-almoço foi também um pequeno banquete. Produtos locais e receitas caseiras. Para além de tudo que geralmente encontramos ao pequeno almoço, os nossos favoritos, foram o bolo e fresco e caseiro da Sílvia. “Não tem segredo nenhum, hoje apeteceu-me fazer este”. – Onde é que já ouvimos isto? O outro foi o requeijão com o doce de Abóbora. Muito típico nesta zona, mas este doce de abóbora, garantimos que não encontram em mais lado nenhum. E já provamos muitos. Dizem que o tempo não volta atrás, mas para nós voltou, pois recuperamos tão boas memórias. Com a Sílvia, ficamos a saber mais sobre a casa, família e localidade. Se hoje em dia já é comum encontrar turismos rurais, quando se lançaram nesta aventura, eram dos poucos a fazê-lo. Como confessava – “sempre tive bom instinto e de arriscar nas coisas certas”. Não íamos deixar esta abandonada, temos tão boas memórias que só as queremos preservar. Estar aqui é a forma de nos sentirmos próximos e de não deixar que isto se perca. – A verdade é que ao contrário de grande parte dos locais que encontramos, são reformados em que mantêm algumas partes depois adicionam alguns detalhes mais modernos por exemplo. Aqui a palavra chave foi preservar. É como se estivéssemos num museu, pois está tudo com coerência e a funcionar como antigamente. Falando um pouco da casa, no andar superior estão os quartos. As casas de banhos apesar de não serem partilhadas, são sempre frente ao quarto e os quartos não são suite (antigamente não era muito normal haver suites J ). É incrível como nos sentimos aconchegados na casa. Pela manhã o chilrear dos pássaros e a claridade acordam-nos de maneira diferente. De maneira bem relaxada. Acordamos com água na boca para o pequeno-almoço. É fácil começar bem o dia.

Parte da casa podemos ver também o antigo lagar, o granito e o belo vitral visto de fora. É raro ouvir passar algum carro na rua. As mesas e cadeiras localizadas, auguram tarde bem passadas para quem quer apenas relaxadas. Em dia de chuva não usufruímos do exterior, mas usufruímos do que a região tem. O Pedro é um excelente conversador e um verdadeiro anfitrião. Desde logo ficamos à vontade e soubemos programar melhor os nossos dias e o que visitar. Mais não podíamos pedir.

Um dos grandes desafios do interior, é fugir à desertificação e de ter atividades que chamem as pessoas a permanecer e a visitar. Muitas vezes, fora das épocas altas, uma das grandes desculpas que ouvimos é que tem pouco que visitar ou que fazer. Enganam-se! Durante estes 3 dias, não faltou o que fazer. Visita obrigatória ao museu do brinquedo, mesmo no centro de Seia. Algumas exposições temporárias. Brinquedos típicos dos 5 cantos do mundo e outros mais nostálgicos, que contam um pouco na nossa infância e dos nossos avós. Visitamos também uma sala de aula do antigamente. O que mudou e o que aprendiam. A figura do professor era ainda mais central. Todos os objetos didáticos. Novamente voltamos atrás no tempo. Muito bem mantido e que vale a pena visitar.

Aqui podem comprar bilhete para visitar para visitar outros locais de visita obrigatória. Pelo preço de 2 podem visitar 3 locais. Museu do brinquedo, o CISE e o Museu da Eletricidade. Este último, foi o que mais gostamos. Um dos museus que mais gostamos de visitar em Portugal. Uma antiga central de produção energia elétrica. As restantes centrais continuam em funcionamento, esta parte foi convertida em museu. No Verão a visita acaba no rio mais abaixo, uma das melhores praias fluviais do país, e, segundo consta este é um dos rios mais limpos da Europa. Passando à nossa visita, preferimos esperar e ter a visita guiada, pois foi muito mais rica. Ouvir as histórias à volta, por vezes podem ser mais interessantes do que apenas os objetos históricos que podemos visualizar. Foi o que aconteceu, uma viagem pela transformação de energia gravitacional, proveniente da queda de água proveniente das centrais mais acima, em energia elétrica que iria abastecer as indústrias e povoações da região. Apesar de ser no interior, Seia foi das primeiras cidades do país a ser abastecida por Energia elétrica. Era de vital importância a empresa na região e todos os edifícios e objetos mostravam orgulhosamente o logotipo marcado. Novamente, como se parados no tempo estivéssemos, conseguimos acompanhar como se vivia na época. Também os esforços sobre-humanos destes homens para construírem principalmente a lagoa comprida. Todo o espólio da companhia e da capacidade de superação. Para terminar e principalmente para os mais novos, o museu tem uma área didática onde podem perceber alguns conceitos de eletricidade. Com exemplos e experiências bem fáceis de entender e explicar o que é eletricidade. Sem dúvida que foram umas 2horas bem passadas.

Ainda sobre a Serra, o ex-libris da região, há muito que explorar. Há muito mais que neve. No nosso caso, o Pedro quis colocar-se à prova e conhecer a mítica subida do Adamastor. Foi o que aconteceu. Subida à torre e passagem no Adamastor. Apesar de não te apanhado chuva, a descida foi bastante exigente principalmente devido ao vento que se fazia sentir no topo. Alguns melhores trilhos estão também na serra. No entanto Seia também o centro de BTT de Seia onde existem alguns percursos menos exigentes e de iniciação. Sem grande dificuldade técnica ou física. Temos gosto em partilhar alguns também.

Para terminar um fim de semana incrível, não podíamos deixar de mencionar um evento que também tivemos a oportunidade de visitar. Cine Eco de Seia. Um festival de cinema internacional onde a Natureza é o tema principal. Pessoas de todo o mundo visitam e partilham também um pouco da execução do filme. Nós só assistimos aos filmes vencedores. Foi uma 1hora muito bem passada, numas das melhores salas do país. Só podemos dizer que temos de divulgar mais e para o ano estaremos de volta.

Guardamos de forma muito especial as pessoas. São as pessoas que fazem os locais. Em todos estes locais, todas as pessoas foram os locais. O sorriso e a receção especial serrana, são o melhor postal de visita. O motivo que nos faz voltar.

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